segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

O8 DE DEZEMBRO - ANIVERSÁRIO DA CIDADE DE MAUÁ (SP)





Dentre os símbolos oficiais da cidade está o Brasão de Armas e a Bandeira. Mas, para quem não sabia, Mauá também tem um Hino. Composto por Américo Del Corto (letra) e Carlos Binder (música), instituído pela Lei Municipal nº 4268/2007. A seguir você pode curtir o Hino no LINK indicado, com sua letra oficial logo abaixo.


http://www.4shared.com/mp3/iywPsoVwce/Hino_do_Municpio_de__MAU_SP.html?

Hino municipal

Partindo da Nobreza
Do Barão de Mauá
Antevendo sua grandeza
Uma Cidade iria brotar
Em terras virgens do Pilar

E agora aí está
Mauá, Mauá, Mauá!
O teu povo é varonil
Incansável lutador
Pelo progresso do Brasil

Desde a fina porcelana
E o granito natural
Todo o povo se irmana
Buscando um só ideal
Com as chaminés fumegantes
Fazendo sempre girar
Engrenagens mil rolantes
É a Cidade a prosperar

E agora aí está
Mauá, Mauá, Mauá!
O teu povo é varonil
Incansável lutador
Pelo progresso do Brasil






domingo, 3 de março de 2013

AUGUST COMTE

Um pouquinho sobre COMTE



Augusto Comte – Positivismo

Isidore Auguste Marie François Xavier Comte, filósofo e matemático francês, nasceu em Montpelier a 19 de janeiro de 1798. Foi fundador do Positivismo. Fez seus primeiros estudos no Liceu de Montpellier, ingressando depois na escola Politécnica de Paris, de onde foi expulso em 1816 por ter-se rebelado contra um Professor.Foi então estudar medicina em Montpellier, mas logo regressou a Paris, onde passou a viver de aulas e colaborações em jornais.
Em 1818 foi discípulo de Saint-Simon, de quem seguiu a orientação para o estudo das ciências sociais, mas com o qual se indispôs em 1824.
Em 1826, começou a elaborar as lições do Curso de Filosofia Positiva, Sofrendo, porém, sério esgotamento nervoso, viu-se obrigado a interromper seu trabalho. Já recuperado, publica, de 1830 a 1842, sua primeira grande obra: Curso de Filosofia Positiva, constituída de seis volumes.
Foi mestre repetidor  examinador na Escola Politécnica, funções de que foi destituído em 1844 e 1845 respectivamente. Viveu, daí por diante, de aulas particulares – tendo por alunos vários brasileiros – e de contribuições pecuniárias de amigos.
A partir de 1846 toda sua vida e obra passaram a ter um sentido religioso. Desligou-se do magistério, dedicando-se mais às questões espirituais. Deixou de ser católico e fundou a religião da Humanidade. Para propagar sua nova religião, manteve correspondência com monarcas, políticos e intelectuais de toda parte, tentando por em prática suas idéias de reformador social. Emitiu sucessivamente as idéias da “virgem mãe”, a adoração da humanidade, da organização da sociedade pela ciência.
Sociologia que a princípio Comte denominou “Física Social “é um vocábulo criado por ele no seu Curso de Filosofia Positiva. Para Comte, a sociologia procura estudar e compreender a sociedade, para organiza-la e reforma-la depois. Acreditava que os estudos das sociedades deveriam ser feitos com verdadeiro espírito científico e objetividade.
O pensamento de Comte provocou polêmicas no mundo todo e reformulações de teorias até então incontestáveis. Sua influência foi imensa quer como filósofo social, quer como reformador social, principalmente sobre os republicanos brasileiros.  Lema da Bandeira Nacional “Ordem e Progresso”, criado por Benjamin Constant, é de inspiração Comtista.
O lema que resume o positivismo:
A Religião da Humanidade, fundada por Augusto Come, sobre a Angélica inspiração de Clotilde de Vaux, pode ser indiferentemente caracterizada como a religião do Amor, a Religião da Ordem ou a Religião do Progresso; O Amor procura a Ordem e leva ao Progresso; A Ordem consolida o Amor e dirige o Progresso; O progresso desenvolve a Ordem e conduz o Amor, donde a sentença característica do Positivismo:
“O Amor por princípio, a Ordem por base e o Progresso por Fim”.
O Brasil foi o país do mundo onde a influência de Augusto Comte se fez mais sentir. Os apóstolos brasileiros que mais trabalharam para o seu desenvolvimento foram:
Miguel Lemos e Raymundo Teixeira Mendes.
Augusto Comte morreu em Paris a 5 de setembro de 1857.

O século XIX é caracterizado por duas correntes filosóficas: o Idealismo na primeira metade e na segunda metade pelo Positivismo.
 

 O Positivismo

A revolução Industrial no séc. XVIII, expressão do poder da burguesia em expansão, demonstrou a eficácia do novo saber inaugurado pela ci6encia moderna no século anterior. Ciência e técnica tornaram-se aliadas, provocando modificações no ambiente humano jamais suspeitadas. De fato, basta lembrar que antes do advento da máquina a vapor, usava-se a energia natural (força humana, das águas, dos ventos., dos animais)e, por mais que houvesse diferenças de técnicas adotadas pelos diversos povos através dos tempos, nunca houve alterações tão cruciais como as que decorreram da Revolução Industrial.
A exaltação diante desse novo saber e novo poder leva à concepção do cientificismo, segundo o qual a ciência é considerada o único conhecimento possível e o método das ciências da natureza o único válido, devendo portanto, ser estendido a todos os campos da indagação e atividade humanas. Neste clima, desenvolve-se no século XIX o pensamento positivista, que tem Augusto Comte como principal representante.

Comte e a lei dos três estados

 Para  um rápido esboço do pensamento de Comte, vamos utilizar suas próprias palavras “Estudando, assim, o desenvolvimento total da inteligência humana em suas diversas esferas de atividade, desde seu primeiro vôo mais simples até nossos dias, creio ter descoberto uma grande lei fundamental, a que se sujeita por uma necessidade, e que me parece ser solidamente estabelecida, que na base de provas racionais fornecidas pelo conhecimento de nossa organização, quer na base de verificações históricas resultantes do exame atento do passado. Essa lei consiste em que cada uma de nossas concepções principais, cada ramo de nossos conhecimento, passa sucessivamente por três estados históricos diferentes: (...)
“No estado teológico, o espírito humano, dirigido essencialmente suas investigações para a natureza íntima dos seres, as causas primeiras e finais de todos os efeitos que o tocam, numa palavra, para os conhecimentos absolutos, apresenta os fenômenos como produzidos pela ação direta e contínua de agentes sobrenaturais mais ou menos numerosos, cuja intervenção arbitrária explica todas as anomalias aparentes do universo”.
“No estado metafísico, que no fundo nada mais é do que simples modificação geral do primeiro, os agentes sobrenaturais são substituídos por forças abstratas, verdadeiras entidades (abstrações personificadas) inerentes aos diversos seres do mundo, e concebidas como capazes de engendrar por elas próprias todos os fenômenos observados, cuja explicação consiste, então, em determinar para casa uma entidade correspondente”.
 “Enfim, no estado positivo, o espírito humano, reconhecendo a impossibilidade de obter noções absolutas, enuncia a procurar a origem e o destino do universo, a conhecer as causas íntimas dos fenômenos, para preocupar-se unicamente em descobrir, graças ao uso bem combinado do raciocínio e da observação, suas leis efetivas, a saber, suas relações invariáveis de sucessão e de similitude”.
Para comte o estado positivo corresponde a maturidade do espírito humano, o termo positivo designa o real em oposição ao quimérico, a certeza em oposição a indecisão, o preciso em oposição ao vago. É o que se opõe a formas tecnológicas ou metafísicas de explicação do mundo.
Segundo Comte, “todos os bons espíritos repetem, desde Bacon, que somente são reais os conhecimentos que repousam sobre fatos observados”.

A Classificação da ciência e da sociologia

Comte fez uma classificação das ciências: matemática, astronomia, física, química, biologia e sociologia.
O critério da classificação vai de mais simples e abstrata, que é a matemática, até a mais complexa e concreta que é a sociologia. E essa ordem não é apenas lógica, mas cronológica, pois foi nessa seqüência que elas aparecem no tempo.
A sociologia de Comte gira em torno de núcleos constantes, como a propriedade, a família, o trabalho, a pátria, a religião. Exclui a preocupação com uma teoria do Estado e com a economia política.
A filosofia de Comte pode ser considerada como uma reação conservadora à Revolução Francesa (1789), Colocando-se no caminho contra evolucionário, quer participar da reconstrução instituindo a ordem de maneira soberana.
A palavra Ordem significa ao mesmo tempo arranjo e mando. É ele mesmo que afirma:
“Nenhum grande progresso pode efetivamente se realizar se não tende finalmente para a evidente consolidação da ordem”.
Seu conceito da ciência é o de um saber acabado, que se mostra sob a forma de resultados e receitas.
Tendo colocado a ciência positiva como o ápice da vida e do conhecimento humanos Comte prossegue estabelecendo uma série de postulados aos quais a ciência deve se conformar. O principal deles é que a ciência deve assegurar a marcha normal e regular da sociedade industrial. Ora, ao fazer isso, Comte troca a teoria filosófica do conhecimento por uma ideologia.
Com a religião positivista Comte mostra-nos mais uma vez seu lado ambíguo: trata-se de uma racionalização do sagrado ou de uma sacralização do racional.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Filosofia, o sapo e o pé… Lavar ou não lavar?

Porque o sapo não lava o pé, segundo vários intelectuais

Quando eu li o título deste texto em minha caixa de emails, achei que fosse mais um spam e quase o apaguei. Mas, por algum motivo, fui ler um trecho e percebi que era algo muito engraçado e criativo. Uma espécie de piada cult (e para poucos, é verdade! ). Alguns  trechos poderiam ser usados em sala de aula, como atividade. Mas vale mesmo como descontração…

POR QUE O SAPO NÃO LAVA O PÉ?
Explicações de vários estudiosos…

Olavo de Carvalho: O sapo não lava o pé. Não lava porque não quer. Ele mora lá na lagoa, não lava o pé porque não quer e ainda culpa o sistema, quando a culpa é da PREGUIÇA. Este tipo de atitude é que infesta o Brasil e o Mundo, um tipo de atitude oriundo de uma complexa conspiração moscovita contra a livre-iniciativa e os valores humanos da educação e da higiene!

Karl Marx: A lavagem do pé, enquanto atividade vital do anfíbio, encontra-se profundamente alterada no panorama capitalista. O sapo, obviamente um proletário, tendo que vender sua força de trabalho para um sistema de produção baseado na detenção da propriedade privada pelas classes dominantes, gasta em atividade produtiva alienada o tempo que deveria ter para si próprio. Em conseqüência, a miséria domina os campos, e o sapo não tem acesso à própria lagoa, que em tempos imemoriais fazia parte do sistema comum de produção.

Friedrich Engels: isso mesmo.

Michael Foucault: Em primeiro lugar, creio que deveríamos começar a análise do poder a partir de suas extremidades menos visíveis, a partir dos discursos médicos de saúde, por exemplo. Por que deveria o sapo lavar o pé? Se analisarmos os hábitos higiênicos e sanitários da Europa no século XII, veremos que os sapos possuíam uma menor preocupação em relação à higiene do pé – bem como de outras áreas do corpo. Somente com a preocupação burguesa em relação às disciplinas – domesticação do corpo do indivíduo, sem a qual o sistema capitalista jamais seria possível – é que surge a preocupação com a lavagem do pé. Portanto, temos o discurso da lavagem do pé como sinal sintomático da sociedade disciplinar.

Max Weber: A conduta do sapo só poderá ser compreendida em termos de ação social racional orientada por valores. A crescente racionalização e o desencantamento do mundo provocaram, no pensamento ocidental, uma preocupação excessiva na orientação racional com relação a fins. Eis que, portanto, parece absurdo à maior parte das pessoas o sapo não lavar o pé. Entretanto, é fundamental que seja compreendido que, se o sapo não lava o pé, é porque tal atitude encontra-se perfeitamente coerente com seu sistema valorativo – a vida na lagoa.

Friedrich Nietzsche: Um espírito astucioso e camuflado, um gosto anfíbio pela dissimulação – herança de povos mediterrâneos, certamente – uma incisividade de espírito ainda não encontrada nas mais ermas redondezas de quaisquer lagoas do mundo dito civilizado. Um animal que, livrando-se de qualquer metafísica, e que, aprimorando seu instinto de realidade, com a dolcezza audaciosa já perdida pelo europeu moderno, nega o ato supremo, o ato cuja negação configura a mais nítida – e difícil – fronteira entre o Sapo e aquele que está por vir, o Além- do-Sapo: a lavagem do pé.

John Locke: Em primeiro lugar, faz-se mister refutar a tese de Filmer sobre a lavagem bíblica dos pés. Se fosse assim, eu próprio seria obrigado a lavar meus pés na lagoa, o que, sustento, não é o caso. Cada súdito contrata com o Soberano para proteger sua propriedade, e entendo contido nesse ideal o conceito de liberdade. Se o sapo não quer lavar o pé, o Soberano não pode obrigá-lo, tampouco recriminá-lo pelo chulé. E ainda afirmo: caso o Soberano queira, incorrendo em erro, obrigá-lo, o sapo possuirá legítimo direito de resistência contra esta reconhecida injustiça e opressão.

Immanuel Kant: O sapo age moralmente, pois, ao deixar de lavar seu pé, nada faz além de agir segundo sua lei moral universal apriorística, que prescreve atitudes consoantes com o que o sujeito cognoscente possa querer que se torne uma ação universal.

Nota de Freud: Kant jamais lavou seus pés.

Sigmund Freud: Um superego exacerbado pode ser a causa da falta de higiene do sapo. Quando analisava o caso de Dora, há vinte anos, pude perceber alguns dos traços deste problema. De fato, em meus numerosos estudos posteriores, pude constatar que a aversão pela limpeza, do mesmo modo que a obsessão por ela, podem constituir-se num desejo de autopunição. A causa disso encontra-se, sem dúvida, na construção do superego a partir das figuras perdidas dos pais, que antes representavam a fonte de todo conteúdo moral do girino.
Carl Jung: O mito do sapo do deserto, presente no imaginário semita, vem a calhar para a compreensão do fenômeno. O inconsciente coletivo do sapo, em outras épocas desenvolvido, guardou em sua composição mais íntima a idéia da seca, da privação, da necessidade. Por isso, mesmo quando colocado frente a uma lagoa, em época de abundância, o sapo não lava o pé.

Soren Kierkegaard: O sapo lavando o pé ou não, o que importa é a existência.

George Hegel: podemos observar na lavagem do pé a manifestação da Dialética. Observando a História, constatamos uma evolução gradativa da ignorância absoluta do sapo – em relação à higiene – para uma preocupação maior em relação a esta. Ao longo da evolução do Espírito da História, vemos os sapos se aproximando cada vez mais das lagoas, cada vez mais comprando esponjas e sabões. O que falta agora é, tão somente, lavar o pé, coisa que, quando concluída, representará o fim da História e o ápice do progresso.

Auguste Comte: O sapo deve lavar o pé, posto que a higiene é imprescindível. A lavagem do pé deve ser submetida a procedimentos científicos universal e atemporalmente válidos. Só assim poder-se-á obter um conhecimento verdadeiro a respeito.

Arthur Schopenhauer: O sapo cujo pé vejo lavar é nada mais que uma representação, um fenômeno, oriundo da ilusão fundamental que é o meu princípio de razão, parte componente do principio individuationis, a que a sabedoria vedanta chamou “véu de Maya”. A Vontade, que o velho e grande filósofo de Königsberg chamou de Coisa-em si, e que Platão localizava no mundo das idéias, essa força cega que está por trás de qualquer fenômeno, jamais poderá ser capturada por nós, seres individuados, através do princípio da razão, conforme já demonstrado por mim em uma série de trabalhos, entre os quais o que considero o maior livro de filosofia já escrito no passado, no presente e no futuro: “O mundo como vontade e representação”.

Aristóteles. O [sapo] lava de acordo com sua natureza! Se imitasse, estaria fazendo arte . Como [a arte] é digna somente do homem, é forçoso reconhecer que o sapo lava segundo sua natureza de sapo, passando da potência ao ato. O sapo que não lava o pé é o ser que não consegue realizar [essa] transição da potência ao ato.

Platão:
Górgias: Por Zeus, Sócrates, os sapos não lavam os seus pés porque não gostam da água!
Sócrates: Pensemos um pouco, ó Górgias. Tu assumiste, quando há pouco dialogava com Filebo, que o sapo é um ser vivo, correto?
Górgias: Sou forçado a admitir que sim.
Sócrates: Pois bem, e se o sapo é um ser vivo, deve forçosamente fazer parte de uma categoria determinada de seres vivos, posto que estes dividem-se em categorias segundo seu modo de vida e sua forma corporal; os cavalos são diferentes das hidras e estas dos falcões, e assim por diante, correto?
Górgias: Sim, tu estás novamente correto.
Sócrates: A característica dos sapos é a de ser habitante da água e da terra, pois é isso que os antigos queriam dizer quando afirmaram que este animal era anfíbio, como, aliás, Homero e Hesíodo já nos atestam. Tu pensas que seria possível um sapo viver somente no deserto, tendo ele necessidade de duas vidas por natureza,ó Górgias?
Górgias: Jamais ouvi qualquer notícia a respeito.
Sócrates: Pois isto se dá porque os sapos vivem nas lagoas, nos lagos e nas poças, vistos que são animais, pertencem e uma categoria, e esta categoria é dada segundo a característica dos sapos serem anfíbios.
Górgias: É verdade.
Sócrates: precisando da lagoa, ó Górgias meu caro, tu achas que seria o sapo insano o suficiente para não gostar de água?
Górgias: não, não, não, mil vezes não, Ó Sócrates!
Sócrates: Então somos forçados a concluir que o sapo não lava o pé por outro motivo, que não a repulsa à água
Górgias: de acordo

Diógenes, o Cínico: Dane-se o sapo, eu só quero tomar meu sol.

Parmênides de Eléia: Como poderia o sapo lavar os pés, ó deuses, se o movimento não existe?

Heráclito de Éfeso: Quando o sapo lava o pé, nem ele nem o pé são mais os mesmos, pois ambos se modificam na lavagem, devido à impermanência das coisas.

Epicuro: O sapo deve alcançar o prazer, que é o Bem supremo, mas sem excessos. Que lave ou não o pé, decida-se de acordo com a circunstância. O vital é que mantenha a serenidade de espírito e fuja da dor.

Estóicos: O sapo deve lavar seu pé de acordo com as estações do ano. No inverno, mantenha-o sujo, que é de acordo com a natureza. No verão, lave-o delicadamente à beira das fontes, mas sem exageros. E que pare de comer tantas moscas, a comida só serve para o sustento do corpo.

Descartes: nada distingo na lavagem do pé senão figura, movimento e extensão. O sapo é nada mais que um autômato, um mecanismo. Deve lavar seus pés para promover a autoconservação, como um relógio precisa de corda.

Nicolau Maquiavel: A lavagem do pé deve ser exigida sem rigor excessivo, o que poderia causar ódio ao Príncipe, mas com força tal que traga a este o respeito e o temor dos súditos. Luís da França, ao imperar na Itália, atraído pela ambição dos venezianos, mal agiu ao exigir que os sapos da Lombardia tivessem os pés cortados e os lagos tomados caso não aquiescessem à sua vontade. Como se vê, pagou integralmente o preço de tal crueldade, pois os sapos esquecem mais facilmente um pai assassinado que um pé cortado e uma lagoa confiscada.

Jacques Rousseau: Os sapos nascem livres, mas em toda parte coaxam agrilhoados; são presos, é certo, pela própria ganância dos seus semelhantes, que impedem uns aos outros de lavarem os pés à beira da lagoa. Somente com a alienação de cada qual de seu ramo ou touceira de capim, e mesmo de sua própria pessoa, poder-se-á firmar um contrato justo, no qual a liberdade do estado de natureza é substituída pela liberdade civil.

Max Horkheimer e Theoror Adorno: A cultura popular diferencia-se da cultura de massas, filha bastarda da indústria cultural. Para a primeira, a lavagem do pé é algo ritual e sazonal, inerente ao grupamento societário; para a segunda, a ação impetuosa da razão instrumental, em sua irracionalidade galopante, transforma em mercadoria e modismo a lavagem do pé, exterminando antigas tradições e obrigando os sapos a um procedimento diário de higienização.

Antonio Gramsci: O sapo, e além dele, todos os sapos, só poderão lavar seus pés a partir do momento em que, devido à ação dos intelectuais orgânicos, uma consciência coletiva principiar a se desenvolver gradativamente na classe batráquia. Consciência de sua importância e função social no modo de produção da vida. Com a guerra de posições – representada pela progressiva formação, através do aparato ideológico da sociedade civil, de consensos favoráveis – serão criadas possibilidades para uma nova hegemonia, dessa vez sob a direção das classes anteriormente subordinadas.

Norberto Bobbio: existem três tipos de teoria sobre o sapo não lavar o pé. O primeiro tipo aceita a não-lavagem do pé como natural, nada existindo a reprovar nesse ato. O segundo tipo acredita que ela seja moral ou axiologicamente errada. A terceira espécie limita-se a descrever o fenômeno, procurando uma certa neutralidade.

Liberal de Orkut (esse indivíduo cada vez mais anônimo): o sapo não lava o pé por ser um indivíduo liberto da opressão estatal. Mas qualquer coisa é só arrumar um emprego público e utilizar o lavado do Leviatã!

Autor desconhecido
Fonte (na íntegra): http://historiaonline.com.br/2012/12/03/filosofia-o-sapo-e-o-pe-lavar-ou-nao-lavar/#more-9095 

A Importância da Sociologia no Cotidiano

Como a Sociologia pode ajudar no dia-a-dia?

Estaremos abordando a sociologia como uma prática cotidiana para a vida.

Por que a sociologia passou a ser considerada uma das disciplinas mais importantes no curriculo da educação básica no Brasil?

O QUE É SOCIOLOGIA?

O QUE É SOCIOLOGIA

   Comecemos esta explicação analisando a realidade dos comportamentos. Há comportamentos como andar, dormir, etc. que são individuais e biológicos. Mas há comportamentos como casar, receber salário, fazer greve, etc. que são sociais. Enquanto o comportamento de um animal é puramente biológico, basicamente determinado por reflexos e instintos vinculados a estruturas biológicas hereditárias, o comportamento do homem, além de biológico, é também cultural. O pássaro João-de-barro faz sua casinha do mesmo jeito que fazia há milhares de anos atrás, sempre igual. Um leão do Brasil se comporta como um leão de qualquer lugar do mundo da mesma espécie. Já o homem se comporta de modo diferente de acordo com a sociedade em que ele vive. Enquanto o animal tem apenas a sua natureza, o homem tem a sua natureza e a sua cultura. Mas onde acaba a natureza e começa a cultura? O tema é polêmico e alguns estudiosos afirmam não haver limite rígido entre natureza e cultura. Como é que o homem passa do estado animal para o estado humano, ou seja, como é que ele sai do estado meramente biológico e passa a ser cultura social? Um indicador dessa passagem pode ser o regramento para o ato de comer (cozinhar os alimentos, usar talheres, etc.) e para a sexualidade (há uma tribo indígena onde o homem, antes de se unir a uma mulher, é obrigado a passar por um ritual no qual deve dar um soco num cacho de marimbondo. E se quiser trocar de mulher deve passar pelo ritual novamente. Isso evita abuso por parte do homem. Em nossa sociedade também há regras para a prática do sexo). Outro indicativo pode ser a construção de utensílios de trabalho. Outro pode Ser a criação da linguagem simbólica. Ou o surgimento da religião. Para Karl Marx (filósofo alemão do século XIX) é o trabalho que possibilita a distinção entre o natural e o cultural. Tudo o mais vem depois do início do trabalho, inclusive as relações de produção com. a dominação de um sobre o trabalho de outro.

   Somente na sociedade o individuo se toma humano. Ilustra isso' o caso de Amala é Kamaía, Eram duas meninas que foram descobertas em 1921 numa caverna da índia, vivendo entre lobos. Tinham 4 e Sanas. Passaram a ser observadas pelos estudiosos. A mais nova não resistiu. A outra viveu mais 8 anos. Ambas apresentavam hábitos alimentares animalescos. Cheiravam a comida antes de tocá-la, dilacerando os alimentos com os dentes e poucas vezes fazendo uso das mãos. Possuíam aguda sensibilidade auditiva e desenvolvimento do olfato para a carne. Para se locomover apoiavam-se sobre as mãos e os pés. Kama1a levou seis anos para andar ereto. Os animais entendiam-se bem com ela e não se espantavam. Esse e outros casos mostram que o indivíduo criado fora da convivência humana não se torna humano.
   A sociologia estuda: A mobilidade social! Os processos de cooperação/ A divisão da sociedade em camadas/ Os conflitos.
   As primeiras tentativas de estudo sistemáticas sobre a sociedade humana começaram com Platão em seu livro "República" e Aristóteles em "Política". São de Aristóteles as afirmações "O homem nasce para viver em sociedade" e "O homem é um animal social".
   Augusto Comte (1798-1857) é considerado o pai da sociologia.. Foi quem pela primeira vez usou essa palavra. A princípio usou o nome "física social". Para ele os estudos das sociedades deveriam ser feitos com espírito científico e objetividade.
   Emile Durkheim (1858-1917) fez com que a sociologia passasse a ser considerada uma ciência e como tal se desenvolvesse.
   A sociologia parte do fato social. Por exemplo, existe um modo de vestir que é comum, que todos seguem. Isso não é estabelecido pelo individuo. Quando ele entrou no grupo, já existia tal norma e quando ele sair, a norma provavelmente permanecerá. A pessoa é obrigada a seguir o costume geral. São características do fato social: a. Generalidade: o fato social é comum aos membros do grupo. b, Exterioridade: o fato social é externo ao indivíduo, independe de sua vontade. c. Coercitividade: o individuo vê-se obrigado a seguir o comportamento estabelecido.
   As pessoas, em todo o mundo, vivem em grupo. Isso favorece os sociólogos, uma vez que as conseqüências da vida em grupo são o objeto de estudo da sociologia. O interesse pelos grupos é o que diferencia os sociólogos dos outros cientistas sociais. Entre outras coisas, os sociólogos querem saber: Por que grupos como a família, a tribo ou a nação sobrevivem através dos tempos até mesmo durante as guerras ou revoluções? Por que um soldado deve lutar e enfrentar a morte, quando poderia esconder-se ou fugir? Por que o homem se casa, quando poderia satisfazer seus impulsos sexuais fora do casamento? Que efeitos produzem a vida em grupo sobre o comportamento de cada um?
   Várias sociedades são divididas em camadas sociais. Um exemplo de sociedade dividida em castas é a da Índia. Fora e abaixo da pirâmide social da Índia localizam-se os párias, grupos de miseráveis, sem direitos, sem profissão e que só inspiram asco e repugnância às demais castas. Vivem da piedade alheia; não podem banhar-se no rio Ganges, nem ler os livros sagrados chamados vedas. Os párias aceitam com resignação seu lugar na sociedade e se conformam por acreditarem na transmígração da alma. Existem sociedades em que os indivíduos nascem numa camada social mais baixa, mas podem subir. Na Índia isso não pode ocorrer. Não é permitido casamento com pessoa de outra casta.
   Instituição comum a muitas sociedades é o Estado. Não se confunda Estado com nação. A nação é um conjunto de pessoas ligadas entre si por vínculos permanentes de idiomas, religião, valores. É anterior ao Estado, podendo existir sem ele. E também um Estado pode compreender várias nações. Há nações sem Estado e há Estados que têm várias nações.
   Em qualquer sociedade apenas o Estado tem direito de recorrer à violência, à coação, para obrigar alguém a fazer ou deixar de fazer alguma coisa. O Estado é a instituição social que tem a exclusividade, o monopólio da violência legítima.
   Fator comum numa sociedade é a liderança. Há dois tipos de liderança: 1. A liderança institucional, que deriva da posição social ou cargo que ocupa uma pessoa. Por exemplo, numa sociedade como a nossa, um padre católico ou um professor não foi escolhido pela população para essa função, mas admitido pela Igreja ou pelo governo da cidade ou do Estado. 2. A liderança pessoal, que se origina de qualidades_pessoais. Uma pessoa pode exercer influência sobre um grupo sem sua liderança ser reconhecida oficialmente. Há o líder democrático, que se baseia na partilha de opiniões, e o líder totalitário, que se baseia na submissão de seus seguidores.

   Histórico da sociologia como disciplina da grade curricular

   A Sociologia já foi uma disciplina presente em todas as escolas, assim como a Matemática e a Língua Portuguesa. Ela surgiu como disciplina obrigat6ria já em 1897, mas só foi realmente introduzida em 1925 com a Reforma Rocha de Vazo A partir de então, a Sociologia não só se tomou obrigatória no Ensino Secundário como também passou a ser cobrada nos vestibulares para o ingresso no Ensino Superior (MORAES, 2003, p.7). Entretanto, durante os momentos de ditadura em nosso país, o ensino de Sociologia sofreu uma série de revezes:

   Em 1942, durante a ditadura da era Vargas, também conhecida pelo nome de Estado Novo, ocorreu a Reforma Capanema, que retirou a obrigatoriedade da Sociologia nos cursos secundários. A disciplina foi mantida somente no Curso Normal como Sociologia Geral e Sociologia da Educação;

    Em 1961 ela volta como disciplina optativa;
   Em 1971, durante a ditadura militar, o ensino de Sociologia sofreu o seu mais duro golpe. Ora era tida como disciplina optativa, mas não bem-vista, pois era associada, indevidamente, ao comunismo, ora era retirada da grade curricular básica e substituída pela disciplina de Organização Social e Política Brasileira (OSPB). Isso ocorreu com a Reforma Jarbas Passarinho (MORAES, 2003, p.7). Sua postura crítica diante da realidade não era bem-vista naquela época. Com o passar do tempo, muitas pessoas foram então esquecendo a importância da Sociologia para a formação geral de qualquer pessoa.

   Entretanto, desde 1882 - por meio de parecer de Rui Barbosa - acreditava-se na importância da disciplina, assim como hoje se reconhece que ela é matéria importante tanto para quem fará Medicina, Direito ou Engenharia, como também para faxineiros, pedreiros, advogados, garçons, químicos, físicos, artistas, enfim, para todos aqueles que necessitam entender e se situar na sociedade em que vivem. Por ter sido deixada de lado no período militar, vários dos pais dos alunos também não devem conhecer a disciplina, pois muitos nasceram durante esse período ou até após o regime.

   É importante frisar que a Sociologia já esteve no currículo do Ensino Médio, mas foi retirada por razões ideológicas e políticas.
   Ela volta pelo esforço de muitos que reconhecem a importância da construção de um olhar critico para a realidade como base na formação de qualquer cidadão e do papel que a Sociologia pode desempenhar nesse sentido.
   E é fácil defini-la? Será que podemos definir, hoje, em uma frase, o que é Sociologia? Não, pois ela é fruto de um longo processo histórico.

   Também é importante destacar que as aulas de Sociologia dialogarão muito com outras disciplinas, como História, Geografia e Filosofia, mas que o principal diálogo se dará com a Antropologia e a Ciência Política. Essas ciências nos ajudarão a lançar um olhar sociológico sobre a realidade,pois, juntas formam as Ciências Sociais.


l.Diferencie comportamento biológico de comportamento social, dando exemplos.

2. De acordo com o texto, diferencie o comportamento animal do comportamento do ser humano dando exemplos.

3. Qual é a diferença entre natureza e cultura? Dê exemplos.

4. Conforme o texto, quais os cinco indicadores da passagem do estado natural para o estado cultural?

5. Qual o exemplo dado no texto de uma tribo para regramento da sexualidade?

6. Para Karl Marx ° que faz a distinção entre o natural e o cultural?

7. Descreva ocaso das meninas-lobo. O que ele demonstra?

8. O que a sociologia estuda?

9. Fale sobre os filósofos citados neste texto em relação à sociologia.

10.Quais as características do fato social? Explique-as.

11.Conforme o texto, quais as indagações dos sociólogos?

12. O que diz: o texto sobre a divisão em castas na índia? O que ele fala sobre os párias'?-

13.O que fala o texto sobre Estado e sobre nação?

14.Conforme o texto, quais os dois tipos de liderança? Descreva-os

15.Faça um resumo do histórico da sociologia como disciplina da grade curricular.

16.O que diz o texto sobre cada uma das ciências sociais?


Por: Prof. Manuel Raposo


 Fonte: http://aulasdesociologia1.blogspot.com.br/2010/04/o-que-e-sociologia.html

sábado, 12 de maio de 2012

SÉRIE: Consumismo e Juventude - E.M.

Juventude, Consumismo e o Valor das Relações Familiares
MATÉRIA PARA ELABORAÇÃO DE ATIVIDADE
Instruções:
1) Fazer um Resumo do texto que foi orientado para leitura;
2) Responder a seguinte pergunta:
    - Na prática, o que eu devo fazer para realizar o que o texto trata?
    Observações:
    a) Referente às partes 2 e 5, assistir os vídeos e elaborar relatório e, quanto às tabelas, fazer a interpretação, ou seja, elaborar um texto descrevendo todas as informações constantes na tabela;

PARTE 1

Propagandas apostam no comportamento impulsivo da juventude [1]

Os números comprovam: os jovens são os maiores freqüentadores de shopping centers no Brasil. E, conseqüentemente, os que mais consomem. Uma pesquisa feita pelo Instituto Iplos Marplan em oito capitais brasileiras, divulgada em 2005, mostra que 37% dos jovens fazem compras nos shoppings, contra 33% da população geral. De acordo com o estudo, pessoas na faixa etária entre 15 e 24 anos apresentam grande necessidade de consumo. Portanto, jovens, pais, educadores: fiquem atentos!

De olho nessa parcela, o mercado oferece uma enorme variedade de produtos, nas lojas e na mídia. Roupas, sapatos, tênis, óculos de sol, Ipods, computadores, celulares e carros são os principais na lista de preferências da juventude. Segundo um outro estudo, realizado pela Universidade de Brasília (UnB), para a sociedade o shopping center é como um espaço privado, criado para solucionar os problemas da cidade. Um “mundo isolado" no qual se foge do sol, chuva, poluição, e pedintes, por exemplo.

Com tantas vantagens é comum que as pessoas passem horas dentro de um shopping; as lojas se tornam um grande atrativo, e mesmo que alguém esteja lá por outro motivo que não seja comprar, muitas vezes acaba levando algo para casa, até mesmo sem necessidade, apenas por seguir um impulso.

Publicidade prioriza a juventude
É comum observarmos nos anúncios publicitários jovens saudáveis e bonitos, sorridentes, sempre se divertindo e mostrando uma vida sem problemas. Os empresários estão de olho na juventude; as campanhas incentivam o imediatismo, a idéia de aproveitar a vida para não se arrepender do que podia ter feito e não fez.

A publicidade aposta no comportamento impulsivo do jovem, que consome de forma desenfreada. A idéia é que assim que assistir ao anúncio a pessoa consuma rapidamente o produto. Sabe-se que nem todo jovem compra, viaja e se diverte sem pensar nas conseqüências. Mas é fato que, quanto mais nova e inexperiente, mais influenciável a esse tipo de conduta é a pessoa.

A produtora executiva Deborah Brasil conta que viveu essa fase consumista até os 20 anos de idade. "Não tenho esse perfil, mas quando fui estudar e trabalhar nos Estados Unidos comecei a ver tantas coisas baratas que comprava mesmo sem necessidade, além de gastar muito dinheiro com viagens também", revela.

Alguns especialistas dizem que os dias atuais colaboram para uma situação como esta. Muitos avaliam que hoje o jovem possui uma idéia de que seu dinheiro é individual. E mesmo aquele que trabalha fora não contribui financeiramente em casa, se sentindo, assim, livre para consumir da maneira que quiser.

Sempre em busca de algo novo

Para o psicólogo Dárcio Miranda, especialista na linha comportamental cognitiva (que baseia-se na teoria de aprendizagem social), existem duas vertentes que levam ao consumismo. "O que vem primeiro é o fator novidade. O jovem, por natureza, já apresenta uma tendência de buscar o que é novo. No Japão, por exemplo, em um período de seis meses, qualquer produto já está obsoleto. Então, o fator do desenvolvimento tecnológico, associado ao aspecto da característica do jovem de querer conhecer o novo, aumenta esta necessidade de comprar", explica.

O psicólogo afirma que o segundo fator é que os pais estão menos integrados na relação familiar. “É quando surge este espaço de carência, que precisa ser compensado. Então, este jovem transfere sua necessidade para o mercado que a mídia oferece. Se sentindo assim mais bem aceito na sociedade”, afirma.


PARTE 2 - VÍDEOS

















PARTE 3

Eles gastam muito
Com um apetite consumista maior que o da média da população, o jovem brasileiro sabe onde quer gastar e ainda influencia as compras da família

   São adolescentes, mas pode chamá-los de maquininhas de consumo. Um estudo realizado com garotas e rapazes de nove países mostra que no Brasil sete em cada dez jovens afirmam gostar de fazer compras. Desse grupo de brasileiros, quatro foram ainda mais longe – disseram ter grande interesse pelo assunto. O resultado da pesquisa, que tomou como base um trabalho da Organização das Nações Unidas (ONU) chamado Is the Future Yours? (O Futuro é seu?), foi significativo: os brasileiros ficaram em primeiríssimo lugar no ranking desse quesito, deixando para trás franceses, japoneses, argentinos, australianos, italianos, indianos, americanos e mexicanos. Ou seja, vai gostar de consumir assim lá no shopping center.

   E não precisa nem mandar, porque a turma vai mesmo. Outra pesquisa, feita pelo Instituto Ipsos-Marplan, constatou que 37% dos jovens fazem compras em shoppings, contra 33% dos adultos. Nem sempre os mais novos adquirem produtos mais caros, mas, proporcionalmente, têm maior afinidade com as vitrines. A lista de vantagens dos adolescentes sobre outros públicos é de tirar o fôlego: eles vão mais vezes ao cinema, viajam com maior freqüência, compram mais tênis, gostam mais de roupas de grife – mais caras que as similares sem marca famosa –, consomem mais produtos diet, têm mais computadores, assistem a mais DVDs e vídeos e, só para terminar, são mais vorazes na hora de abocanhar balas, chicletes e lanches. Não é à toa que a falência antes do fim do mês é maior entre os jovens: invariavelmente atinge quase a metade deles, que estoura a mesada ou o salário.

   O poder dos adolescentes sobre o mercado vai mais longe ainda, mesmo que eles não dêem a mínima para abstrações como "mercado". Costumam, por exemplo, aparecer com mais assiduidade no balcão. Pessoas com menos de 25 anos trocam de aparelho celular uma vez por ano (as mais velhas, a cada dois anos). Em relação às bicicletas, só para citar mais um exemplo, a situação é semelhante. Os adolescentes não são os maiores compradores do setor, mas aposentam uma bike a cada quatro anos. Os mais velhos só mudam de selim de sete em sete anos. Diante de tantas evidências, não causa surpresa que o gasto médio das famílias brasileiras seja maior nas casas em que moram adolescentes de 13 a 17 anos. Nesses domínios, a lista dos cinco produtos mais consumidos traz, em primeiro lugar, o leite longa vida. Depois vêm os refrigerantes. Nos lares com jovens entre 18 e 24 anos, a hierarquia é surpreendente. O refrigerante lidera o ranking, seguido por leite, óleo vegetal, cerveja e café torrado – o que explica o fato de a Coca-Cola ter no Brasil seu terceiro maior mercado em todo o mundo.

   O poder de consumo dos jovens é um filão que anima vários setores da economia. Há em curso uma corrida para conquistar o coração dessa rapaziada (e o bolso dos pais). As grandes marcas desenvolvem estratégias milionárias para tornar esse público fiel desde já. A maior parte do que se produz no mercado publicitário, que movimenta 13 bilhões de reais por ano, tem como alvo a parcela de 28 milhões de brasileiros com idade entre 15 e 22 anos. É esse grupo que fornece boa parte do ideário da propaganda, enchendo os anúncios com mensagens de liberdade e desprendimento. Mostra-se extraordinária também a influência que essa molecada exerce sobre as compras da família. Oito em cada dez aparelhos de som só saem das lojas a partir do aval da ala jovem do lar. A fabricante de eletrodomésticos Arno não faz nada sem pensar nos mais novos, pois, na comum ausência das mamães trabalhadoras, é a garotada quem usa espremedores de fruta, tostadores de pão, sanduicheiras e liquidificadores. "Hoje, vendemos tanto para os filhos como para as donas-de-casa", conta Mauro de Almeida, gerente de comunicação da Arno, que mantém duas escolinhas de gourmet para cativar consumidores desde a pré-adolescência.

   Essa influência é exercida já em tenra idade. Nos dias de hoje, um indivíduo é considerado consumidor aos 6 anos. Nesse momento as crianças começam a ser ouvidas na hora de tirar um produto das prateleiras do supermercado. Para cada dez crianças de até 13 anos, sete pedem itens específicos às mães. O poder jovem também se nota na hora de esvaziar o carrinho no caixa. Um quarto do que é registrado foi pedido pela garotada. "Nós educamos as crianças e os jovens para que tenham autonomia, opinião, poder de decisão. Pois é, eles aprenderam e decidem o que comprar por nós", ironiza Rita Almeida, especialista em tendências e hábitos de consumo de adolescentes da agência de propaganda AlmapBBDO.

PARTE 4 - ENTREVISTA - Revista Veja [2]

O problema não é comprar
A jornalista americana Alissa Quart, autora de um livro sobre hábitos de compra dos adolescentes, fala do consumismo juvenil

Veja – O jovem é um consumista?
Alissa Quart – Todo mundo é consumista, em maior ou menor grau, adultos ou adolescentes. Em 2001, os jovens gastaram 155 bilhões de dólares nos Estados Unidos. Em média, o adolescente americano gasta 60 dólares por semana do próprio dinheiro. Apenas 56% desse valor vem da mesada dos pais. O restante ele ganha sozinho, normalmente trabalhando em empregos de meio período.

Veja – Por que os jovens estão comprando produtos de luxo?
Alissa – Porque nos últimos anos as empresas adotaram a estratégia de direcionar esses produtos para os jovens. Esse avanço foi influenciado pelo estilo de vida dos astros de rap e hip hop, que valorizam esses produtos em sua música e em sua vida pessoal. Marcas caras, como Louis Vuitton, tornaram-se símbolos de cultura popular. O interesse por esses símbolos de status também cresceu bastante entre os adultos e, por conseqüência, entre seus filhos.

Veja – Por que os pais não tentam barrar essa avalanche de consumismo juvenil?
Alissa – Porque o consumismo não é considerado um problema. O que preocupa é se as filhas vão engravidar ou se os filhos vão se viciar em crack. Nesse contexto, consumir é inofensivo. O consumo é visto como uma conquista do adolescente, sua primeira inserção no mundo adulto. Os pais dão mesadas aos filhos como uma preparação para a responsabilidade de ter o próprio dinheiro. Na verdade, o consumismo só se torna realmente perigoso quando assume proporções exageradas.

Veja – Como mostrar a um adolescente que um produto de luxo que ele deseja comprar está fora da realidade?
Alissa – Pais e filhos deveriam tentar um olhar crítico em relação à mídia e à publicidade. Não é fácil, pois o marketing moderno utiliza-se de técnicas sutis para atingir os jovens. É comum nos Estados Unidos "infiltrar" num shopping center adolescentes usando marcas de grife. A idéia é estimular seus amigos a comprar aqueles produtos. Os pais não devem apenas dizer não. Precisam também estar atentos às técnicas para induzir as compras.

PARTE 5 - TABELAS







Fontes:
[1] http://www.elnet.com.br/news_interna.php?materia=4574
[2] http://veja.abril.com.br/especiais/jovens_2003/p_080.html