sexta-feira, 16 de março de 2012

DESIGUALDADES SOCIAIS


1. INTRODUÇÃO
Muito se tem dito e escrito sobre a globalização como motora de reprodução e aumento das desigualdades. Veem-se, de fato, nas últimas décadas, um crescente desenvolvimento das produções dos centros hegemônicos e um empobrecimento de grande volume da população mundial residente nos países periféricos. A estrutura competitiva da sociedade aparece em nível local, regional, nacional e global. São disputas acirradas por privilégios, diante da mercantilização do espaço geográfico e das relações sociais.
De um lado, um desenvolvimento vertiginoso da tecnologia e de outro, a desvalorização dos salários, com o aumento de excluídos e deterioração da qualidade de vida em muitas regiões. Soma-se a isso uma crise cultural de valores, em um espaço dominado pelo materialismo e pelo paradigma do mercado. Consumir tornou-se uma virtude.

2. DESIGUALDADE E ESTRUTURA SOCIAL NA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO
Por Marco A. M. Bourguignon

“O desenvolvimento tecnológico e o acesso à informação, num mundo cada vez mais globalizado, vêm fazendo uma transformação radical nos sistemas de desigualdades. E o conhecimento torna-se significativo para a estratificação social e para a formação do processo de desigualdade.
A passagem da Sociedade Industrial para a Sociedade da Informação muda o foco das teorias sobre estrutura e estratificação social e todo o processo de desigualdade e de mobilidade social, em que o conhecimento se torna peça chave para o entendimento das diferenças sociais. O capital intelectual torna-se moeda corrente para a troca. Nesse foco, a educação entra como peça fundamental para a mudança na estratificação social.
Na Sociedade Industrial, o conhecimento técnico-prático era a principal porta de entrada para a ascensão social. Na Sociedade da Informação, o conhecimento teórico e geral substitui o conhecimento técnico-prático. O indivíduo deve ter a capacidade de decodificar e filtrar as informações que chegam continuamente.
A educação, como geradora e portadora da transmissão do conhecimento, transforma-se na principal chave de mudança, aumentando o tempo de escolaridade dos indivíduos e tendo de mudar o seu foco de formação teórica, capaz de desenvolver no indivíduo o aprender a aprender.
Esse estudo será focado em duas questões:
             1) Estamos passando realmente por um processo de mudança nas concepções de desigualdade e mobilidade social?
2) A educação é uma das principais formas de ascensão social na Sociedade da Informação ?
Os estudos teóricos sobre desigualdade social são reflexos das formas de desigualdade social existentes nas sociedades industriais, ou seja, conforme a sociedade moderna começa a sofrer uma profunda transformação, as teorias da desigualdade também sofrem mudanças e começam a perder significação. Ou melhor, os estudos teóricos seguem o caminho da passagem da Sociedade Industrial para a Sociedade da Informação.
Outro ponto é que o conhecimento entendido como força de ação se torna cada vez mais responsável pelo processo de formação das desigualdades. Para alguns cientistas sociais, as classes sociais não constituem mais a formação das hierarquias, mas, sim, outros tipos de clivagens sociais. Uma ilustração disso é que, na Sociedade da Informação, os indivíduos ativos no processo de trabalho industrial representam uma minoria no conjunto da população.
Há algumas décadas, tinha-se como certo que a Sociedade Industrial e o processo de modernização originariam um sistema de desigualdade social menos hierárquico, refletindo mais de perto as aptidões individuais e as fronteiras bastante pequenas entre as classes. Como se pode perceber, o nível de desigualdade aumentou; por outro lado, houve um relativo aumento na perspectiva de vida e bem-estar social, com acesso à saúde e aos dispositivos de previdência, principalmente durante as décadas de 1950 e 1960. No entanto, a estrutura de poder e as relações de autoridade tornam difíceis de discernir mudanças significativas de ordem estruturais. Essas mudanças sociais ocorridas podem ser levadas em conta mais pelas mudanças estruturais da sociedade do que como resultado de sucesso alcançado pelas pessoas ou por mobilidade individual. Ou seja, a transformação da Sociedade Industrial na Sociedade da Informação trouxe novos alentos estruturais e provocou certa mudança na pirâmide social. A educação pode ser encaixada como fator determinante para alcançar a Sociedade da Informação.
A educação tem um papel cada vez mais importante na formação da natureza e da estrutura da desigualdade social na sociedade moderna, mas isso não significa afirmar que seja um fenômeno novo para o estudo da natureza da desigualdade. Ela é uma variedade de competência cultural e aptidões. A educação sempre teve um papel importante na determinação da desigualdade. Por exemplo, a capacidade de ler e escrever na língua dominante de uma noção; o conhecimento das leis e dos procedimentos que regem as transações, como saber se o religioso influi na posição social de uma pessoa. Agora, conhecer a tecnologia e saber analisar as informações criam um novo aspecto de determinação da desigualdade.
Um aspecto importante da transformação da base da desigualdade social é o estabelecimento e a garantia da cidadania, especialmente de um pacote de bem-estar social, do qual, abaixo, não se aceita que a pessoa venha cair.
As sociedades avançadas estão tornando-se cada vez mais ‘sociedades da informação’ e as perspectivas multidimensionais da desigualdade social não captam apropriadamente as novas realidades sociais e econômicas. A maior parte das teorias sobre a desigualdade social é estreitamente relacionada com o método de produção industrial, no qual, hoje, se situa uma minoria de pessoas economicamente ativas. Cabe também ressaltar o papel primordial que a educação ocupa nessa sociedade moderna, na qual o conhecimento se torna fundamental para compreender o bombardeio de informações recebidas pelos indivíduos”.

Glossário:
Mercantilização: processo de atribuição de valores de mercado aos elementos.
Paradigma: referência teórica, visão de mundo.

Fonte: Material Modular – Sociologia Módulo 2 – Colégio Objetivo

ALGUNS TERMOS E FRASES DO TEXTO:
Países periféricos: Os países periféricos são aqueles que dependem dos países centrais, tem economias pouco desenvolvidas, possuem pouca influência no cenário internacional. Países centrais são aqueles que detém maior poder político, econômico e militar. São eles que produzem novas tecnologias, exportam produtos culturais e bens de alto valor.
Mercantilização: Conforme o próprio glossário do texto, é o processo de atribuição de valores de mercado aos elementos.
teórica, visão de mundo.
-se a um arranjo hierárquico entre os indivíduos em divisões de poder e riqueza em uma sociedade. É a diferenciação hierárquica entre indivíduos e grupos, segundo suas posições (status), estamentos ou classes.
Sociedade Industrial: Fase pela qual passou muitos países, inclusive o Brasil, principalmente durante as décadas de 1950 e 1960 (se estendendo até a década de 1970).
Sociedade da Informação: Sociedade da Informação é um termo - também chamado de Sociedade do Conhecimento ou Nova Economia - que surgiu no fim do Século XX, com origem no termo Globalização. Este tipo de sociedade encontra-se em processo de formação e expansão.
Mobilidade social: Por mobilidade social entende-se toda a passagem de um indivíduo ou de um grupo de uma posição social para outra, dentro de uma constelação de grupos e de status sociais.
Aprender a aprender: para uma ampla parcela dos intelectuais da educação na atualidade, este lema representa um verdadeiro símbolo das posições pedagógicas mais inovadoras, progressistas e, portanto, sintonizadas com o que seriam as necessidades dos indivíduos e da sociedade do século XXI, baseado nos estudos do psicólogo Vigotski.
Clivagem: S. F. Política, sociologia. Separação, diferenciação ou oposição de grupos sociais ou étnicos (classes, partidos, povos, coletividades etárias etc.)
discernir: s.m. Ação ou faculdade de discernir. Juízo, entendimento, critério.
Mudanças estruturais: Refere-se a uma mudança fundamental e de longo prazo na estrutura de determinado sistema, ao contrário das medidas pontuais ou de curto prazo, que tipicamente visam melhorias conjunturais na produção ou no emprego. Por exemplo, a transformação de uma economia de subsistência numa economia industrializada, ou de uma economia mista regulada numa economia liberalizada. Uma mudança estrutural atualmente em curso na economia mundial é a globalização.
Cidadania: (do latim, civitas, "cidade") é o conjunto de direitos e deveres ao qual um indivíduo está sujeito em relação à sociedade em que vive. O conceito de cidadania sempre esteve fortemente "ligado" à noção de direitos, especialmente os direitos políticos, que permitem ao indivíduo intervir na direção dos negócios públicos do Estado, participando de modo direto ou indireto na formação do governo e na sua administração, seja ao votar (direto), seja ao concorrer a um cargo público (indireto). No entanto, dentro de uma democracia, a própria definição de Direito, pressupõe a contrapartida de deveres, uma vez que em uma coletividade os direitos de um indivíduo são garantidos a partir do cumprimento dos deveres dos demais componentes da sociedade
Multidimensionais: podemos pensar em um processo de avaliação com caráter multidimensional, em que se apresente a partir de um planejamento, com um formato contextualizado. Todo processo avaliativo requer atenção aos limites identificados quer num diagnóstico prévio, logo tentando superar e ousar ao que se refere seus desafios e potencialidades almejadas.

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